Alguns partidos de esquerda aí, pela península ibérica, lembraram-se que devido aos acontecimentos em Ceuta, devia-se retaliar contra Marrocos pedindo a sua expulsão da organização do Mundial de 2030.
Propõem por razões “terceiro mundistas” que é daquele tipo de coisas que só existem quando saem da boca de europeus sobre terceiros. No meio dos argumentos, confunde-se povo com os seus governos, como se fosse a mesma coisa.
“Falta de segurança” é o argumento, esquecendo que a maior falta de segurança é o que a Europa oferece às pessoas nas suas fronteiras, e em todos os países do mundo em que o seu tecido empresarial em conluio com os governos destrói ecosistemas, recursos e formas de viver, obrigando a milhões de deslocados.
Claro que há esquerda que criticou a primeira, mas é bom desenvolver porque, às tantas, parece que, de repente, para jogo diplomático, a organização de um Mundial é uma espécie de esteio da ordem internacional em que queremos participar.
O que a esquerda devia estar a fazer – a esquerda mesmo, e não a suposta esquerda – era questionar a realização de um Mundial FIFA no seu território.
Querem evento menos democrático (quem decidiu e por quem?), sem transparência, mais corrupto, injusto, acelerador de paradigmas de precarização, elitista, que transfere dinheiro de todos nós para vícios privados e excludente que um Mundial da FIFA?
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